segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Seja Bem-Vindo 2013

No último dia do ano pensei em fazer uma postagem especial para tal data, acabou que não me veio nenhuma ideia à cabeça, tudo parecia insuficiente para englobar todos os marcadores que com tanto carinho preenchi ao longo do ano, dessa forma, resolvi apenas dar um "adeus" diferente a 2012, para tanto sintonizei a trilha sonora de "Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain", minha fonte eterna de inspiração. Esse ano que acaba não foi de todo especial, teve seus altos e baixos, acredito que o que, na verdade, torna um ano realmente bom é a própria pessoa, quando aproveitamos as oportunidades, lutamos e vamos atrás do que almejamos aí sim o ano será inesquecível, culpar o próprio ano pelo insucesso é sinal de fracasso pessoal. Foi nesse pensamento que consegui a oportunidade de abrir meu blog, me engajar mais ainda no movimento estudantil, me empenhar nas minhas atividades diárias e, acima de tudo, estar rodeada de pessoas que tanto amo. Fiz dos filmes a minha inspiração, das músicas a trilha sonora dos bons e maus momentos, os vlogs meus momentos de divertimento, enfrentar câmeras não foi fácil para a menina envergonhada que se escondia por trás da literatura. Pois bem. Que em 2013, as sombras continuem a aparecer, que as notícias sejam favoráveis, que o sucesso permaneça, que as conquistas sejam ainda maiores. Que em 2013 sejamos destemidos, guerreiros, que lutemos com garra, de forma honrosa e justa. Que em 2013 nossas cabeças continuem erguidas, que não tenhamos vergonha das nossas atitudes, que sejamos pessoas melhores, admiráveis. Que em 2013 as novidades sejam constantes. Que em 2013 diversos outros filmes, músicas, literatura e vlogs de qualidade surjam, porque é disso que o mundo precisa: cultura e esperança. Seja Bem-Vindo 2013, esperamos por você.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Sonho Cego

O pernambucano Daniel Finizola é um talentoso cantor e compositor da nova geração da Música Popular Brasileira (MPB), que agora em meados de 2012 lançou o seu álbum com exclusividade pela musicoteca, denominado Pincel de Som. "Sonho Cego" é apenas uma das suas músicas, que acabou ganhando a versão audiovisual, mas esse título descreve bastante o seu trabalho. Um cantor que abusa das cores, do lúdico, imagético, sem esquecer o toque regional que é marcante na sua voz e no toque da sanfona. Daniel nos desafia a sonhar, a desgrudar os pés do chão, largar as amarras e imaginar um mundo diferente daquele que estamos acostumados a ver e viver, com ele é bom colocar o fone de ouvido e parar para escutar cada letra e quando há a imagem como no clipe "Sonho Cego", é ainda mais gostoso de ouvir sua música. É com o Pincel que Finizola larga os malditos rótulos e delineia cada detalhe de suas músicas, melodias e letras, escutar o seu álbum é como ganhar um presente no Natal, a empolgação ao abri-lo é única, é contagiante. Para baixar o seu álbum é só acessar amusicoteca.

Clipe "Sonho Cego":


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Dexter


A série de TV americana que tem como personagem principal o seu próprio título, Dexter Morgan (interpretado pelo ator Michael C. Hall), que com um drama/suspense muito bem produzido conta a sua história, um serial killer que trabalha no departamento de polícia do Condado de Miami, como analista forense, especializado em padrões de dispersão de sangue. A narrativa é baseada em uma série de romances, em que a primeira temporada teve como base fundamental o livro Darkly Dreming Dexter. Recebendo adaptação para as telas com o roteirista James Manos Jr., hoje a série já consta com sete temporadas finalizadas. É até clichê falar, mas Dexter realmente é um assassino em série diferente dos demais, saindo dos padrões habituais, Morgan é sociável, amável, aparenta a todos ter uma vida estável, ser amigo, apesar de ser dominado constantemente pelo seu "passageiro sombrio", que é justamente o seu desejo insaciável de matar. Visto por muitos como um justiceiro, Dexter se sustenta em um código ensinado pelo seu pai adotivo: só mata assassinos e geralmente aqueles que a polícia não conseguiu trazer à Justiça; e diante de sua habilidade como analista forense sempre consegue esconder seus rastros. A história desse sociopata é altamente instigante, eletrizante e viciante. Vale muito a pena assistir.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Documentário: Portinari

Cândido Portinari ganha um documentário que retrata a sua biografia, que foi assunto na Revista Cult, por Guilherme Zanella:


"'Levei muitíssimos anos para compreender quem era aquela pessoa que estava na minha casa e que era o meu pai', diz João Cândido Portinari (1903-1962). A vida do pintor, ilustrador e muralista é revisitada, desde sua infância em Brodowski (SP) e sua evolução como artista, que o levou à morte por envenenamento pelas tintas que usava em suas letras, no documentário Portinari do Brasil (R$ 54,90, info.: www.livrariacultura.com.br), narrado pelo ator Herson Capri e lançado neste mês. "Mais de 95% da obra dele está inacessível à vista pública, em coleções particulares, salas de bancos e instituições privadas", lamenta João Cândido. "Hoje enxergo claramente que ele não deixou apenas uma obra de pintor, mas uma poderosíssima mensagem ética e humanista com valores que escorrem de cada tela", diz.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Globo e o Natal

A partir de hoje até o dia primeiro do próximo ano requer paciência para quem tem a globo como a primeira opção de emissora. O clima de esperança é lei. Tudo com o intuito de gerar aquela expectativa no telespectador  mas quem tem qualquer expectativa sobre a vida se passa noite de virada de ano em frente a TV e ainda mais assistindo a Globo? A maquina de manipulação em massa, manipula até nesses dias "santos", não perdoa a liberdade de ser feliz do pobre que só tem ela como opção. Aproveita para sugar a atenção com filmes penosos, shows mega populares e utilizam-se até do Rei "esse cara sou eu", que esse ano deu até pra cantar "ai se eu te pego". Quando assistimos tal programação, não tem como não imaginar uma vida melhor do que essa, é quando fazemos aquelas caducas promessas de fim de ano, quando juramos que o dia primeiro será o ponto inicial de uma nova vida, "vou aproveitar mais", "vou estudar mais", "vou me dedicar mais", são só promessas galera, quem quer faz, não precisa dizer, falar só serve para se frustrar, larguemos essas manias bobas, não nos deixemos levar por essa parte ruim do fim do ano. Em relação a " Globo", não se deixe levar pela programação de Natal, desligue a TV, compre um vinho nessa noite, esqueça do mundo, e lhe promova um Natal melhor.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Geração Fakebook

Legionários de Chico Buarque. Devotos de Cazuza. Aficionados em Bukowski. Apaixonados por Tim Burton. Fingidos da boa música. Do filme cool. Do livro de palavras difíceis. Curtidores de páginas estranhas. Com textos quase inacessíveis. Linguagem peculiar. Essa é a vida de pelo menos umas 90% das pessoas nas redes sociais (dados próprios). "Photoshopam" pessoas que não são, e falam o que não condiz com a sua personalidade para se passar de "legal" para o restante da sociedade. Na vida real gosta mesmo é do "ai se eu te pego", "até o chão, chão, chão", gostam mesmo é do estrago, como diz um certo barbudinho do Los Hermanos. O lance disso tudo não é que a pessoa seja falsa, ou esteja agindo de má-fé. Pelo contrário. Age para se agradar, massagear o ego, buscam aceitação, uma cadeira ao lado da elite (pseudo) intelectual, se é que existe, se é que vale a pena. Até entendo aqueles que estão escutando o sertanejo universitário no fone de ouvido e postando "Se entornaste a nossa sorte pelo chão, se na bagunça do teu coração, meu sangue errou de veia e se perdeu". Mas olha como pegaria mal pros olhos preconceituosos da nossa sociedade casta dizer "gatinha assanhada, você tá querendo o quê?". A verdade é que poucos são aqueles que se aguentam em pé quando o som manda dançar até o chão. Que sejamos mais verdadeiros, a geração fakebook já teve o seu momento.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Sombras: Dois Garotos e Uma Garota

Certa vez quando voltávamos do interior, minha irmã e eu, deparamo-nos com uma cena que chamou minha atenção, não sei se a dela também, mas na minha memória ficou marcada por algum motivo, desses que não se requer explicação.

Para encurtar a conversa e chegarmos logo aos fatos, digo que era um sábado por volta de meio dia. Desembarcamos na rodoviária, atravessamos duas ruas e logo estávamos na para de ônibus. A espera foi curta, logo passou o veículo que faria a linha por dentro do campus universitário deixando-nos em Neópolis.

Bem, logo ao subir dei com os olhos em uma turma de três meninos que ocupavam logo as primeiras cadeiras, dois garotos e uma garota. Aparentemente na minha faixa-etária, quinze, dezesseis anos. As roupas dos dois primeiros, sujas. As camisetas muito folgadas e compridas para o tamanho deles. A menina, de blusa de alça e short jeans.

Faziam uma algazarra sem tamanho entre eles, falavam alto como que querendo demarcar o território, deixando escapar umas gírias capengas e algumas expressões desconhecidas no meu universo fechado. Izabel e eu comentamos alguma coisa à respeito dos três, e trocamos olhares bem particulares a irmãos, mas não passou disso. Parece que as conveniências impostas por uma sociedade cheia de politicagens impediam de ir além, de levantarmos o rosto e encarar um deles nos olhos. Eles sentados não pela distância física, mas por um "apartheid" camuflado. O mesmo "apartheid" que separa até hoje os nossos mundos, que ironicamente estão contidos numa única cidade.

Dali a pouco, o ônibus parou num sinal e os três acenaram para o motorista, queriam descer. Esse, num gesto que inspirava total sinceridade recomendou:

- Cuidado com as motos quando descerem!

E os meninos com um sorriso meio constrangido balançavam as cabeças, positivamente, e com palavras que me pareceram igualmente sinceras, agradeceram com uma série de "obrigado, obrigado" ao condutor. As portas se abriram e eles desceram. Acompanhei-os com os olhos até perder de vista e fiquei remoendo comigo um punhado de pensamentos.

Na certa os garotos não pagaram as passagens, por isso os agradecimentos, ponto para o motorista que permitiu que eles subissem e em momento algum - ao menos enquanto estávamos ali - tratou-os diferentes. Embarcaram de graça em algum lugar, para descerem num sinal. Era a mesma gratuidade de uma vida oposta a minha. Era de graça como a sujeição contida no olhar resignado dos três.

Esse texto foi enviado por Guilherme Henrique Cavalcante ao meu e-mail.

A Lista dos Mais Vendidos

Por Márcia Tiburi

Na capa de um livro da classe de escrita denominada "autoajuda" encontramos a seguinte informação: "mais de 50 milhões de livros vendidos em 50 países". A explicação numerária está curiosamente sob o nome do autor, bem no topo da capa, antes mesmo do título que, logo abaixo, parece ser relativamente menos importante do que os números que aparecem acima dele. Livros em geral, clássicos ou não, não trazem explicações dessa natureza que venham, como esta, sublinhar o nome do autor. Verdade é que os escritores são valorizados por motivos estéticos e políticos que também podem representar algum tipo de capital. Mas justamente por implicarem outros valores não precisam apelas à quantidade vendida aqui ou acolá para despertar o desejo de compra. 

Neste caso exemplar, o nome do autor está relacionado a uma quantidade, coisa que a explicação deixa claro. Trata-se de um best-seller, um livro muito vendido. Mas por que esta informação precisa estar em destaque? Pelo mesmo motivo que jornais publicam listas de "mais vendidos". E o que realmente importa nos chamados "mais vendidos"? É redundante, mas necessário se dizer que os "mais vendidos" vendem mais. Que sejam lidos, ou não, é questão que não importa. Os mais vendidos não despertam o desejo de ler, mas o de comprar o que talvez até possa vir a ser lido.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Para Sempre, Phillip Long

Na última vez (precisamente em 11 de agosto de 2012) que foi falado sobre Phillip Long no blog, ele estava lançando o seu terceiro álbum, prestes a colocar o quarto à disposição dos folkistas. Agora, em meados de dezembro, o impulsivo cantor lança o seu quinto trabalho "Sobre Estar Vivo", perfazendo o quinto disco em apenas um ano, sendo o seu primeiro em português, saindo das amarras do seu idioma materno - o inglês. Em relação a sua inspiração para o mais novo trabalho, Long fala para a musicoteca "O fato de eu estar apaixonado, caminhando com esta mulher que sinto conhecer há milênios me rendeu novas formas de percepção do mundo e, sim, influenciou bastante a minha música. Não sei ao certo se chegou a influenciar o fato de parir canções em português. Mas como tudo está conectado e o universo é sábio e sabe o que faz, acredito que deva ter um papel importante nessa escolha". Apesar da grande quantidade de produção do cantor, o que mais me admira é que a qualidade permanece intacta, tempos atrás escrevi no blog que preferia que o artista passasse anos para produzir um álbum, mas que saísse qualificado para estar no mercado, com Long é diferente, porque ele alcança essa qualidade em instantes, o seu poder criativo é inimaginável, sempre surpreende. É complexo entender, mas é gostoso de escutar, Phillip Long.

Reveja: O Folk de Phillip Long

Baixe o novo álbum: Sobre Estar Vivo

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Barba Ensopada de Sangue

O escritor Daniel Galera, um dos mais consagrados escritores brasileiros da contemporaneidade, nasceu em São Paulo, em 13 de julho de 1979. É marcado como um dos primeiros a misturar a internet com a literatura, em 1997. Além das diversas obras traduzidas, já publicou cinco livros, o primeiro Dentes Guardados (2001), Mãos de Cavalo (2006), logo após publicou Até o dia em que o cão morreu (2007), Cordilheira (2008) e, por último, Barba Ensopada de Sangue. O seu último livro, tendo sido publicado esse ano, foi foco de diversas críticas, sejam boas ou ruins. Pois bem, "Barba" como é muitas vezes retratado, traz uma linha diferente das suas prosas anteriores, dessa vez a sua linguagem recebe uma nova roupagem, ele "incha" a obra de coisas supérfluas, que de primeira qualquer um descartaria, mas ao analisar melhor observamos que cada trecho é importante para a identidade e o desleixar do romance. Sobre a narrativa "O romance abraça três caminhos:o investigativo, em que o protagonista busca resposta para o desaparecimento do corpo do avô; o intimista, que tenta desvendar a mente alheia e fugidia do protagonista, revelada conforme ele encontra outros personagens; e o da narrativa de costumes, em que o cotidiano da cidade, com seu tempo moroso, é dissecado" (BRAVO! - Dezembro, 2012). Por fim, apesar da escrita ainda estar sujeita a aperfeiçoar, Galera está se destacando na literatura brasileira contemporânea, não há como nega, dito isso, vale a pena dar uma conferida.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Homenagem à Luiz Gonzaga

O Natura Musical homenageia o Rei do Baião com uma seleção especial de suas músicas cantadas por diversas vozes do cenário musical brasileiro, desde os veteranos como Elba Ramalho, até as revelações da nova Música Popular Brasileira, como Leo Cavalcanti e Tulipa Ruiz. O cantor que fez da construção do cenário musical no Brasil foi muito representando por esses cantores, que se unirem em prol dos 100 anos do nosso querido e eterno Luiz Gonzaga.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Seleção BRAVO! do Mês: Filmes

Jogo da Verdade - Os Documentários de Peter Watkins: Retrospectiva de dez filmes do renomado documentarista inglês Peter Watkins. Conhecido por um estilo que questiona os próprios métodos de produção das imagens, o cineasta se vale criativamente de recursos ficcionais.

No: Em 1988, o ditador Augusto Pinochet (1915-2006) convoca um plebiscito sobre sua permanência no poder. A campanha do "Não" é chefiada por um jovem publicitário e dá início à queda do regime chileno.

A Sombra do Inimigo: Dois policiais de Detroit, nos Estados Unidos, têm seu talento e sua experiência questionados com o surgimento de um serial killer. O assassino é especializado não só em matar como também em torturar as vítimas. 

Bullying: Uma série de casos de crianças e adolescentes que sofrem os efeitos do bullying em diversas regiões dos EUA. O documentário discute o tema com as vítimas, seus pais e seus professores.

Curvas da Vida: Gus, um veterano olheiro de talentos no beisebol, está envelhecendo e sofre de sérios problemas de visão. Sua filha advogada, Mickey, tira uma folga para ajudá-lo a preservar seu emprego.

Futuro do Pretérito - Tropicalismo Now!: As influências que ainda sobrevivem a partir do Tropicalismo, dos anos 60. Entrevistas e um show de André Abujamra no Teatro Oficina, em São Paulo, funcionaram como fio condutor. 

Liv & Ingmar - Uma História de Amor: A norueguesa Liv Ullman faz um balanço de sua convivência de quatro décadas com o diretor sueco Ingmar Bergman, morto em 2007. A atriz foi casada com o cineasta e ao lado dele realizou 12 filmes, começando por Persona (1966).

A Viagem: Personagens e situações se alternam e se transformam em seis histórias de interrelação complexa. A trama envolve guerras, paixões e utopias, ocorridas em vários continentes entre os séculos 19 e 24.

Fonte: Revista BRAVO! - Dezembro/2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Muito Produto. Pouca Qualidade.

Atualmente, vivemos no mundo dos produtos. Roupa, sapato, alimentação, cinema, música, teatro, revista, jornal, shows, festivais. Tudo hoje gira em torno do capitalismo, do consumismo desenfreado. Enquanto ricos ostentam com os seus carros de valor inimaginável, os pobres almejam um dia ser aquela pessoa. No mundo do entretenimento é onde mais vemos isso. A música ruim vira moda, a boa e a estranha, às vezes escutamos sem ao menos nem saber o porque. A verdade é que o que o povo quer é algo fácil para se aprender, a rima fraca, o ritmo acelerado, os textos a la crepúsculo, os stand-up sugando nosso bom senso com o seu preconceito encoberto de risada. A pergunta que me faço é onde ficou a arte, onde ficou a mágica nisso tudo, o mistério, a surpresa seguida de uma felicidade tremenda ao encontrarmos uma banda de qualidade. É raro. O mundo está inflado de mercadoria, hoje tudo é fast. É fast-food, fast-music, fast-book. A necessidade do novo levou a qualidade ladeira abaixo, nesse contexto tanto a sociedade quanto o produtor tem sua parcela de culpa. Que valorizemos a arte, nem que se demore anos para a produção de um CD, melhor do que sair depois de 3 meses de um fingimento artístico sem tamanho.

Infância Clandestina


Infância Clandestina fala de uma família pertencente aos Motoneros, organização de esquerda que aderiu à luta armada nos anos 70, depois da morte do presidente Juan Domingo Perón. À frente está Juan (Teo Gutiérrez Romero), filho de 12 anos do casal formado por Daniel (César Troncoso), que mantém posto de liderança entre os Montoneros, e Charo (a atriz uruguaia Natalia Oreiro). Exilada em 1975 no Brasil e depois em Cuba, a família regressa à Argentina natal em 1979, clandestinamente, para participar na chama Operação Contraofensiva.

Matriculado numa escola de Buenos Aires, o menino passa a usar um nome falso (Ernesto) e é obrigado a dissimular a condição familiar, ao mesmo tempo que enfrenta os conflitos da pré-adolescência. Alegando ter vindo da Córdoba, cidade do interior do país, aos poucos ele se habitua ao novo ambiente, recebendo orientações de seu tio Beto, interpretado com enorme carisma por Ernesto Alterio - ele próprio um filho de exilados criado na Espanha. Diversos pontos altos são protagonizados por esse personagem afetuoso, cujo intenso amor pela vida contrasta com a ortodoxia dos pais de Juan/Ernesto. O garoto se envolve com María (Violeta Panukas), uma colega de escola, e tio Beto o socorre com dicas preciosas às vésperas de uma viagem para acampar. Utilizando-se de um confeito de amendoim achocolatado que põe na língua, Beto explica ao noviço a semelhança entre o doce e as meninas, indicando o ponto certo de "morder", após amaciá-lo. "Quando estiver em ponto de bala", ele diz a Juan, "essa é a hora certa". Com misto de ternura e humor malicioso, o personagem de Alterio possibilita ao tenso ambiente familiar certo contato com a ordem natural da vida, proibida a todos aqueles que experimentam o exílio e a clandestinidade.

É nesse jogo ambivalente, a oscilar entre as possibilidades oferecidas pela escola - os amigos, a liberdade, a paixão - e o cotidiano quase militar da família, que Juan dá os primeiros passos de sua rebelião pessoal. Apesar de, como se sabe a esta altura, não haver final feliz possível para a luta armada. Contudo, há uma nova/velha visão recuperada pelo relato do cineasta, algo entre a maciez do chocolate derretido na boca e a dureza do amendoim a ser quebrado pelos dentes: a de que é necessário endurecer, porém sem perder a ternura. Infância Clandestina é desses raros filmes que continuam a rodar na lembrança mesmo depois de a luz da sala ser acesa.

fonte

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Holy Motors



Após quase 13 anos sem dirigir um longa, o francês Leos Carax lançou no dia 30 de novembro do corrente ano o drama Holy Motors, que conta com a participação dos atores Denis Lavant, Eva Mendes, Kylie Minoque e muito mais. Leos se utiliza de "Motores Sagrados" para reverenciar a reprodução mecânica do movimento da vida. Conta a história de Oscar, que transita em vidas paralelas, interpretando diversos personagens, o chefe, assassino, mendigo, monstro e pai. O personagem que é interpretado por Denis Lavant está à procura da beleza do movimento, da força motriz, das mulheres e dos fantasmas da sua vida. Carax, conhecido pelo seu idealismo, o traz para o seu longa, Holy Motors retrata a situação do cinema no século 21, evidenciando problemáticas, como é o caso da sua banalização, lutando contra a desvalorização do cinema como arte. Novamente, o personagem abatido, idealista e solitário é encarnado em seu filme. Oscar é a demonstração viva da nossa realidade, mostrando que todos vivem com máscaras, em seus personagens, alter-egos.

Trailer:


sábado, 8 de dezembro de 2012

Liberando Endorfina


O Riso dos Outros é um documentário de Pedro Arantes de 52 minutos, que conta com a participação de Antonio Prata, Danilo Gentili, Jean Wyllys, Laerte, Lola Aronovich, Nany People, Rafinha Bastos e outros. O documentário começa mostrando trechos de alguns shows de cômicos stand up e depois adentra nos caracteres de documentários mesmo, realizando questionamentos sobre os mais diversos tipos de piadas, censura, limites do humor, o politicamente incorreto, quem são os alvos de piadas, protestos sociais, entre outros temas. Além disso, nele dá para notar o preconceito que permeia na cabeça dos nossos colegas, tanto humoristas, quanto espectadores. A piada é um minimundo, é quando se põe uma lupa nas doenças da sociedade e exterioriza os pensamentos mais carregados de repulsa. O stand up, que está se popularizando cada vez mais, é o meio mais eficaz de ser preconceituoso sem ser. O documentário é uma ótima análise disso tudo. Vale a pena assistir.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Entrevista com Marisa Orth

Em entrevista ao programa Móbile, a cantora e atriz Marisa Orth declarou que a música brega também fez parte de sua formação musical. Ela participou da Vexame, uma banda que rompeu a barreira do brega na Música Popular Brasileira. Vexame surgiu para existir apenas por uma noite, era uma espécie de brincadeira, com performances e piadas durante o show. A ideia era levar para o Aeroanta, uma antiga casa noturna que fez muito sucesso na década de 1990 apresentando importantes bandas do circuito alternativo que surgiram nos anos 80.

Entrevista

Cinema da Contracultura


Entre 1967 e 1982, uma geração de cineastas recém-chegada a Hollywood levou às telonas a essência da contracultura, revolucionando a estética e a temática do cinema norte-americano no movimento que ficou conhecido como "Nova Hollywood".

"Eram filmes que retratavam o desejo de enfrentamento de toda uma sociedade sobre o status quo que dominava as gerações anteriores à Guerra do Vietnã", conta Norlan Silva, curador da Mostra de Filmes da Nova Hollywood, que aconteceu em Brasília este mês.

A programação é composta por 21 filmes, dentre eles os clássicos O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, O Exorcista, de William Fridkin, e Taxi Driver, de Martin Scorsese. Seguindo o modelo de cineclubismo, após cada exibição acontece um debate sobre o filme e tendo como ponto de partida o livro Como a Geração Sexo-drogas-e-rock'n'roll Salvou Hollywood?, do jornalista norte-americano Peter Biskind

Onde: Biblioteca Nacional de Brasília (Setor Cultural Sul), Brasília (DF)
Quando: 1 a 21/12
Quanto: Gratuito
Info.: (61) 3325-257

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

RIP Nyemeyer

Oscar Ribeiro de Almeida Nyemeyer Soares Filho nasceu em 1907 no Rio de Janeiro e já em 1928 começou a ingressar no mundo das artes ao entrar na Escola Nacional de Belas Artes. Foi com Annita Baldo que constituiu a sua família, uma filha, cinco netos, 13 bisnetos e sete trisnetos. Em 1934 se formou como engenheiro arquiteto, momento este que já começou a trabalhar no escritório Lúcio Costa, participando de projetos como os prédios do Ministério da Educação e da Saúde. Foi trabalhando nesse escritório que ele conheceu o maior ícone da arquitetura modernista, o franco-suíco Le Corbusier. Foi com ele e também com o inglês Sir Howard Robertson que projetaram em 1947 a sede da Organização das Nações Unidas em Nova York. E em 1956, Juscelino Kubitschek propôs a Nyemeyer a chefiar um projeto da nova capital do país, Brasília. Nyemeyer não foi apenas um engenheiro arquiteto, ele foi um artista, as construções que levam o seu nome como projetista são verdadeiras obras de arte, é impossível não reconhecer quando a obra é sua, os seus traços são ousados, modernos, marcantes. Foram 104 anos fazendo o inesquecível acontecer. Descanse em paz.

Entrevista de Oscar Nyemeyer para o Roda Viva em 12/07/1997


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Austen, Casamento e Ironia.

Cena do Filme "Orgulho e Preconceito"
A escritora inglesa Jane Austen, dona de uma ironia fantástica, nasceu em 16 de dezembro de 1775, na cidade de Steventon. Apesar de ser do século 18, ainda hoje os seus romances são muito bem vendidos, elevando a escritora a estar entre os clássicos da literatura mundial. Para Austen, a sua inspiração maior foi a sua própria vida. Pertencente a uma família da burguesia agrária, em que as mulheres já nascem sendo preparadas para o casamento, foi nesse assunto que a inglesa se pautou para escrever os seus romances. A primeira leitura dos seus livros leva o leitor a crer que ali reside uma escritora inocente, conservadora, entretanto, não consigo vê-la por esse ângulo. Tudo bem que a idealização da instituição casamento, bem como a do próprio homem é tratada em suas obras, mas, em contrapartida, Austen contrapõe seus próprios pensamentos com o outro lado mais realista, chegando, algumas vezes, a ser bem feminista e largando das amarras do conservadorismo. 

Cena do Filme "Amor e Inocência"
Analisando a própria vida de Jane, nota-se que a complacência com a instituição casamento não fez parte da sua realidade, apesar de pouco cortejada, teve a oportunidade de se casar, mas não o fez, o que deixa a dúvida se foi um ato romântico por um amor não concretizado de sua juventude ou até mesmo por desacreditar no casamento, apresentando uma visão mais feminista. A sua primeira obra de sucesso foi "Razão e Sensibilidade" que conseguiu publicação 14 anos depois de ser escrito. Devido a grande repercussão, a autora também publicou "Orgulho e Preconceito" em 1813, e no mesmo período começou a trabalhar em "Mansfield Park". Foi com "Orgulho e Preconceito" que a sua identidade começou a ser difundida, o seu livro foi muito bem aceito, principalmente pelas suas doses de ousadia, não apenas ao escrever, mas também quando se trata de indiscrição à família. Quando publicou "Mansfield Park" todos os exemplares foram vendidos em seis meses, não havia mais dúvida que Jane Austen entraria para a história. Atualmente, tanto "Orgulho e Preconceito" como "Razão e Sensibilidade" ganharam versão nos cinemas, o primeiro foi sucesso total e ainda é, mas há também um filme que trata de uma forma mais superficial da vida da própria Jane, indico para os leitores de primeira viagem que assistam "Amor e Sensibilidade", conhecer a sua vida antes de mergulhar nos seus romances é algo que facilita ao leitor compreender realmente as suas palavras.

Trailer do filme "Amor e Inocência"


Trailer do filme "Orgulho e Preconceito"


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Coletânea Fim do Mundo Musicoteca


"Porque o mundo não pode acabar com você ouvindo qualquer coisa. Por isso, preparamos uma trilha especial para você fazer a passagem em grande estilo. Com o melhor da nova música brasileira. Vai que tem uma vida além dessa, né? Aí você já chega com boas referências, saindo da mesmice. É importante levar novidades para outras vidas também, e esse é o nosso trabalho aqui nessa vida, deixar vocês com o melhor da nossa música. Quando chegar lá, seja no frescor do azul ou no calor do vermelho, terá o que ouvir e dançar com os novos amigos e amantes da boa música. Vista uma roupa bonita, chame os amigos pra perto, coloque nossa trilha e sorria muito! Bom fim do mundo para todos!


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Rainha Madonna

Os títulos chamativos com possíveis críticas à Rainha do Pop (?) se resumiram a uma busca incessante de acessos à página, visto que ao entrar a notícia revertia o título e acabava por vangloriar Madonna. Mas a verdade é que cantora que nas suas duas primeiras passagens no Brasil arrastou multidões para assisti-la, não conseguiu ultrapassar 70 mil pessoas, que não deixa de ser um número razoável ou até gigantesco para qualquer artista, mas estamos falando da tão aclamada "Rainha do Pop". A verdade é que as tentativas incansáveis de tentar atingir as demais cantoras do mundo pop já cansou e não está dando outra impressão que não seja "ego inflamado". Não há nada mais prepotente e ofensivo do que cantar "Born This Way" e logo após direcionar críticas sugerindo que estão te copiando. E outra, semanas atrás pensei que a descida do salto de Christina Aguilera para abraçar um competidor do The Voice americano tinha sido falso até ver A Rainha dando entrevista dentro de um banheiro com a aparição nada forçada do seu filho, cozinheiro, gato, papagaio e todas as pessoas que estavam ao seu redor, realmente colocou a sua adversária X-Tina no chinelo. Convenhamos, para uma caduca na música e reconhecida mundialmente, se render ao playback e fingir tocar guitarra em cima do palco é uma vergonha. Não tiro o mérito da ostensiva produção dos seus shows, realmente é algo bem Broadway, entretanto a diva deveria começar a pensar em encerrar a sua carreira como diva ou com o seu título de Rainha, caso continue dessa forma os seus fãs que já são mais velhos que ela vão deixar de existir e novos não virão. 

domingo, 2 de dezembro de 2012

Caiu na Net Alguns Trechos de "Os Miseráveis"

Como todos já sabem o romance de Victor Hugo de 1862 está chegando nas telinhas mais uma vez, estrelado por Anne Hathaway, Hugh Jackman, Amanda Seyfried, Sacha Baron Cohen, Russel Crowe, Helena Bonham Carter e diversas outras estrelas. Quatro trechos do musical caíram na net, confiram abaixo: 

Clipe: At The End Of The Day:


Clipe: Who I Am


Clipe: On My Own


Clipe: A Heart Full Of Love



sábado, 1 de dezembro de 2012

30 anos de "Thriller"


Ontem (30 de novembro) completou 30 anos do lançamento do álbum "Thriller". Ele foi originalmente lançado no dia 30 de novembro de 1982, sendo hoje considerado um marco na música pop, tido como um dos mais importantes ou até um divisor de águas, dentre as músicas desse álbum estão "Billie Jean" e "Beat it", como esquecer esses grandes sucessos do eterno Michael Jackson?

Relembre o clipe "Thriller":


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O Amadurecimento de Ben Affleck

(Cena do filme "Argo")
Ben Affleck esbanjou o seu amadurecimento no seu último longa "Argo", que estrou dia 09 de novembro deste ano, um drama/suspense que contou com a participação dos atores Bryan Cranston, John Goodman e o próprio Ben. Desde 1997 o ator entrou no mundo dos roteiristas, começando com Gênio Indomável, logo depois Shakespeare Apaixonado, passando por alguns desastres como Amageddon, Contato de Risco e outros. Até que começou a encontrar o seu caminho com Medo da Verdade, Atração Perigosa, enfim chegando a "Argo". O filme é baseado em fatos reais, se passando no ano 1979, durante a crise política no Irã, tendo como base os fatos presentes na crise, a saída de xá Reza Pahlavi e a chega de aiatolá Khomeini. Utilizando-se de uma imaginação e criatividade incrível o ator e diretor desenrola o filme de forma bem explicada e contextualizada, e apesar de se passar na década de 70 ele consegue dar uma cara mais popular ao filme sem abandonar o original. Além disso, ao assistir podemos notar um filme muito bem trabalhado em todos os aspectos, desde o seu texto, até a forma como foi gravado, não deixando a desejar nas características do cenário da época, muito menos no modo como foi direcionado a câmera nos mais distintos momentos da trama. Provavelmente, "Argo" estará concorrendo a estatueta do Oscar de melhor filme, Ben Affleck mostrou amadurecimento e elevou a expectativa depois de "Argo".

Trailer do filme "Argo":


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Ansioso por "O Hobbit"?

Notícia extraída da superinteressante:

Peter Jackson mostra os bastidores da produção de "O Hobbit"



O nome do filme pode até ser O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, mas a nova produção de Peter Jackson é uma das mais aguardadas nos últimos anos. Desde que saiu a última parte da trilogia O Senhor dos Anéis (em 2003!), os fãs de Tolkien convivem com a ansiedade e expectativa de ver nos cinemas a história de como o Um Anel chegou às mãos de Bilbo Bolseiro.

O longa estreia no dia 14 de dezembro. Mas isso não acalma os nervos de ninguém, a gente sabe. Por isso, vamos dar um gostinho do que vem por aí. Durante a produção do filme (ou seja, nos últimos muitos meses), Jackson gravou um diário em vídeo com muitas cenas de bastidores e de todo o processo de (re) construção da Terra Média. Isso mostra o quanto o diretor neozelandês é um cara bacana que entende a dedicação e o amor dos fãs pela obra.

Os vídeos estão sendo legendados pelo usuário RiAnFt, uma boa alma nerd. Pegue sua capa e seu cajado e venha dar uma volta pelo universo do Hobbit! (o 9 ainda não ganhou legenda. Mas você pode conferi-lo na sequência também!).

Aqui abaixo está o primeiro vídeo, mas para assistir os demais, acesse.


A Literatura de Khaled Hosseini

O afegão de Cabul nasceu no dia 4 de março de 1965 e hoje se firma como romancista e médico. Devido ao trabalho do seu pai (funcionário do Ministério do Exterior) o escritor durante a sua infância nunca conseguiu se firmar em apenas um lugar, foi de Cabul para Teerã, depois volta para Cabul, depois parte para Paris, nesse momento fica impedido de voltar para a sua terra natal devido a conflitos políticos (1973), dessa forma, conseguem asilo político no território norte-americano. Em 1993 conquista o título de Doutor em Medicina, como clínico geral. Atualmente, morando com sua esposa e filho na Califórnia, foi onde escreveu o seu best-seller O Caçador de Pipas, onde ele descreve (baseado em sua imaginação) o Afeganistão que conheceu durante a sua infância, no livro ele narra o fim do sistema monárquico (década de 70) e a entrada dos soviéticos no país, onde o regime comunista cai e se ergue o regime fundamentalista. Quem se depara com Khaled, não apenas em O Caçador de Pipas, mas também em A Cidade do Sol, vai encontrar não apenas um enredo fascinante e uma escrita de dar inveja a qualquer escritor, Khaled deposita em suas obras uma tristeza sem fim, apesar da leitura ser instigante, com o passar do tempo também se torna angustiante, visto que a narrativa dificilmente apresenta momentos de plena felicidade, apenas alguns pequenos trechos demonstram certa esperança diante de um mundo tão ardil. Ainda abro aqui um elogio para a riqueza de detalhes dos dois livros, principalmente do que se trata da cultura do Afeganistão, ao ler é como se lá estivéssemos. Acredito que a escrita e a forma de narrar os fatos foi extraído de uma vida realmente difícil, de certa forma, demorou para Hosseini ter um lar e por vezes é essa a impressão que ele deixa em suas obras. Antes a angustia que por vezes me incomodou ao ler suas obras, ao final, notei que é apenas mais um ponto que dá brilho ao belíssimo trabalho desse escritor e médico.

O Caçador de Pipas - Filme - Trailer


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

É Notícia!

A Cantora Adele com o seu último álbum gravado em estúdio "21" atingiu a marca de 25 milhões de cópias vendidas em todo mundo desde o seu lançamento, desses 10 milhões foi só no ano de 2012. Para quem imaginou que a inglesa estivesse fora de circulação se enganou. Mais do que merecido. 



Modern Family

Criada por Christopher Lloyde e Steven Levitan e produzido pela ABC, a série norte-americana foi ao ar pela primeira vez em 2009, ganhando o Emmy de Melhor Série de Comédia, assim como outros 14 Emmys (nos anos de 2010, 2011 e 2012). Como já sugere o nome, a série é baseada em uma família, que se divide em três casais: Jay Pritchett (o pai), que é casado com uma jovem colombiana Gloria, que já tem um filho pré-adolescente e altamente maduro Manny; Em outro casa está a filha de Jay, Claire, casada com Phill Dunphy, casal este com três filhos; E, por último, a casa composta pelo segundo filho de Jay, Mitchell com o seu parceiro Cameron e a sua filha adotada vietnamita Lily. A série é grava como uma espécie de documentário, tendo, em média, duração de 22 minutos cada episódio, o teor mais caseiro proporciona certa aproximação dos atores com o público (às vezes até esquecemos que é uma ficção), sem contar que os casos retratados é algo bem próximo a realidade do telespectador. Devido à quantidade de prêmios já conquistados é até indiscutível a sua qualidade, sem contar o sucesso de críticas. Dessa forma, indico a série para quem gosta de seriados de comédia, ressaltando que é inevitável a risada com o sotaque de Glória, o exagero de Cameron, a inocência quase bobona de Phill, sem contar as crianças que são verdadeiras estrelas, Lily nem se fala, tem uma carisma incrível e é uma ótima atriz apesar da pouca idade. Os atores foram muito bem selecionados, não há um sequer que não tenha uma luz própria. É isso, pela ABC, Modern Family.


terça-feira, 27 de novembro de 2012

A Sociedade Pertence à Internet

A internet é apenas mais um instrumento criado pelo homem, que com o tempo perdeu o controle da situação e passou a ser "o" controlado. Expliquemos melhor. Atualmente, no Brasil, a grande massa se identifica como católica exatamente 64,6% (dados do IBGE, 2010), dessa forma, os outros 35,4% apresentam outra religião ou são identificados como ateus, contando 8% desses como tal. O que finalmente quero dizer é que os 92% da população estão inseridos em um grupo de identificação (aqueles que possuem uma religião), os outros simplesmente não estão inseridos, ou até mesmo excluídos, de certa forma. Todo o contexto religioso foi para explicar que hoje quem não está inserido na "rede" é simplesmente um ateu, alheio ao grupo, fora do sistema. A internet criada como um meio facilitador dos comandos militares, hoje assume diversos papeis, desde o simples entretenimento até instrumento para grandes descobertas, sendo imprescindível na escola, trabalho, passatempo, futilidades, até mesmo pagar uma conta, quem diria. Em uma comparação até chula, diria que a internet é onde o "crente" ou não-ateu encontra o seu santuário, o lugar em que seus desejos se tornam realidade, possíveis. Concretizando simples desejos que na vida real seriam impossíveis (ou quase) de se realizarem. Exemplifiquemos: No facebook o medíocre pode se passar de um grande intelectual; A garota insatisfeita pode editar todo o seu corpo no photoshop e adequá-lo bem como desejar; Aquele que guarda desejos reprimidos de tirar a vida de alguém pode simplesmente acessar jogos como counter strike e "meter bala"; entre diversos outros exemplos que deparamos no dia a dia. A verdade é que os "crentes" encontram na internet uma forma de se livrar de uma vida medíocre, e estar conectado passa a significar muito mais do que se imagina, é como viver o mundo perfeito, perdendo total controle de conduta, caráter, veracidade, às vezes a realidade não é tão simples e é difícil de ser encarada, mas será pecado ter um cano de escape tão eficaz? 

sábado, 24 de novembro de 2012

O Encanto do Inglês Dan Croll

O jovem inglês Dan Croll já esteve envolvido em duas bandas Eye Emma Jedi e Dire Wolf, que apesar de não ter chegado ao Brasil obteve um bom destaque na terra da Rainha. O seu contato com os dois grupos foi de grande importância para firmá-lo como cantor, visto que cada um tem áreas de atuação bem distintas, destarte, a sua carreira solo adquiriu uma diversidade sonora como herança. Croll é jovem, cool e como uma aparência descolada, é desse jeito que ele se firma pelo pop, passeando pelo Folk, Rock Alternativo e Música Eletrônica Experimental, sem criar uma bagunça total na harmonia. Até agora, de forma profissional, Dan só lançou um singles (From Nowhere) da sua nova carreira, entretanto, no youtube podemos encontrar outros dos seus trabalhos, como é o caso de "Home" e "Marion" que são fantásticas, verdadeiras declarações de uma vida, perfeição em harmonia, em delicadeza, um grande exemplo da influência do Folk, sem contar a voz doce de Dan, que encanta qualquer pessoa. "From Nowhere" foi por outro caminho, apresenta uma batida mais contagiante, o que a fez se tornar um hit, invadindo as rádios inglesas, foi dessa forma que croll chamou atenção de diversas pessoas. Pois bem, esse é o inglês Dan Croll que, provavelmente, ainda iremos ouvir muito falar em 2013. Abaixo suas três músicas principais:

From Nowhere:


Home:


Marion:


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Evento: Estreando Livros de Contos

O evento vai ocorrer no Colégio Mater Christi de Mossoró, Rio Grande do Norte. O intuito é estrear dois livros produzidos por alunos da instituição com a organização dos professores Débora Praxedes e Jonas Barbosa. Os nomes dos livros são "O mundo dos contos", que foi produzido por alunos do 6º ano do ensino fundamental, e "Contando até 50", por alunos do 1º ano do ensino médio. Esse foi um trabalho de 3 (três) meses, em que todos os contos foram escritos e reescritos pelos próprios alunos, apenas contando com o apoio dos professores. Antes de tudo foi trabalhado o gênero textual com os mesmos, para que depois pudessem colocar no papel um mundo de ideias e histórias, as narrativas variam desde comédias românticas até histórias de terror, sendo estes assuntos também escolhidos livremente pelos próprios alunos. Além dos contos, os alunos, reunidos em equipes, sob a supervisão do professor, também cuidaram da correção, ilustração (fotos e capas), bem como a edição dos livros. O evento de estreia dos livros vai contar com a participação dos ilustríssimos escritores da terra: Leontino Leite; Mário Gerson; Jota Paiva e Gustavo Luz. Vai ocorrer no dia 28 de novembro, às 18:30, no colégio Mater Christi.

Convite:


Capa do Livro "Contando até 50"


Capa do livro "O mundo dos contos"


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Adeus, Minha Rainha

Ou Les Adieux à la Reine (título original), é um filme do francês Benoít Jacquot, que conta com a participações fundamentais das atrizes Diana Kruger, Léa Seydoux e Virginie Ledoyen. A narrativa baseia-se na França do século XVIII, mais precisamente o ano 1789, quando o país foi palco de uma das revoluções mais importantes do mundo e, com certeza, a maior já vista na França. A tomada da Bastilha pelo povo francês descontente com o reinado de Luís XVI causou um grande caos na nobreza (que se concentrava em Versalhes). Pois bem, o grande foco do drama é o fato de Sidonie Laborde (a dama de companhia de Maria Antonieta) recusar-se a fugir de Versalhes e, consequentemente, abandonar a sua rainha. Não é a primeira vez que Maria Antonieta é retratada nas telas de cinema, entretanto, dessa vez, Benoít conseguiu mostra-la da forma mais vulnerável possível, destarte, mais madura, abrindo para o mundo os seus sentimentos mais íntimos, bem como das suas admiradoras, além disso, o diretor teve o privilégio de rodar o filme no próprio palácio de Versalhes, o que deu um toque importantíssimo de veracidade. Apesar de Maria Antonieta ser a grande estrela do filme, abro aqui um espaço para a Revolução Francesa em si, dessa vez ela é exposta de forma profunda e sem mostrar nenhum embate sangrento. Dito isso, recomendo o longa de Benoít Jacquot, é realmente incrível e envolvente.

Trailer:


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Trilogia 1Q84

A Trilogia 1Q84 é do escritor japonês Haruki Murakami, que terá seu primeiro volume publicado no Brasil pela Editora Alfaguara. A espera no Brasil é grande, visto que muitos brasileiros já procuraram até versões estrangeiras para mergulhar nessa trilogia. No Japão, Haruki já conquistou a sua grande parcela de fãs, as duas primeiras edições foram sucesso de vendas, o primeiro deles só em 2009 chegou a 4 milhões de cópias vendidas. O livro baseia-se na tríade amor, mistério e morte. O livro tem como foco os personagens Aomame e Tengo, no qual os dois primeiros livros focaram em espelhismos e outros jogos bipolares, enquanto o terceiro foi narrado pela visão de um investigador que persegue a dupla. Aomame é uma assassina do tipo sangue frio e altamente sexy, carregando um passado nebuloso, que por meio de uma contratação caríssima elimina homens poderosos. Já Tengo, é um jovem e confuso editor de literatura. O livro além de ter um foco bastante atrativo, prende o leitor em uma narrativa surpreendente em que brinca com a realidade e o imaginário. Como é de se esperar, Aomame e Tengo começam um romance, entretanto, a distância e o tempo real e imaginário ganham papéis de destaque, ao seu lado, há também uma trilha sonora baseada em Vivaldi, Leos Janacej, Charles Mingus e os Stones, que será de fundamental importância. Apesar de a história em si parecer um pouco confusa, vale a pena guardar um tempo para adentrar no mundo de Haruki Murakami.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

American Horror Story


A série norte-americana de terror-drama se apresenta com um título piegas e o mesmo diretor de Glee, a série mais colorida da TV, com o intuito de colocar medo nos telespectadores. Devido aos preconceitos iniciais, assisti sem pretensão. Para quem já assistiu ao menos um episódio sabe que a minha surpresa foi grande ao me deparar com a narrativa. Ryan Murphy e Brad Falchuk (os criadores e produtores) não nos proporciona o terror comumente retratado nas telas de cinema, o terror vem das emoções, dos fantasmas reais depositados em seres sobrenaturais, apesar da produção de terror clássico, o que realmente toca o telespectador é a tristeza, a moral deturpada, os medos íntimos dos personagens, o pânico particular de cada um, os assombros de uma sociedade, e creio que esse realmente era o objetivo dos seus criadores. Para quem conhece o trabalho de Ryan Murphy sabe que não ia sair pouca coisa da série e apesar da produção com aspecto clássico, ele consegue deixar a série altamente atrativa para os dias atuais, com uma junção de música, maquiagem, cenário, arranjos, personagens, tudo em perfeita harmonia, a impressão que se tem ao assistir é que absolutamente tudo está no lugar, se encaixando por si só. E, da mesma forma de Glee, é trazido à tona os assuntos do cotidiano como o preconceito contra casais gays, assassinatos em séries, o aborto do ponto de vista conservador, o suicídio adolescente, o preconceito racial, o bullying, entre outros assuntos. American Horror Story de piegas nada tem, e não é uma série como as outras, ela aborda todo um contexto sócio-cultural de uma sociedade, encaixado em seu respectivo período. Bato palmas para Ryan e Brad, recomendo.

Promo 1ª Temporada:


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Música e Phill Veras

Phill Veras é um cantor completo e não consegui descrição melhor do que a da musicoteca pra ela, logo, não teria como utilizar melhores palavras:

A música não é apenas um som. Sua experiência sensitiva pode limitar-se aos ouvidos. Não pode ser apenas esse o compromisso de uma artista que escolhe a música para expressar suas emoções. Talvez seja esse o meu último aprendizado nesta relação tão apaixonante e prazerosa que insisto em viver com as canções das coisas e das pessoas.

É diferente quando você conhece a música e desconhece sua fonte inspiradora, sua origem, ou mesmo sua real intenção. Isso não é ruim, e nem tem tanta importância assim. Sempre encontramos uma roupa para o nosso humor do dia, e as pessoas costumam usar as suas trilhas sonoras desta forma. O fato é que, estabeleceremos outra percepção artística do que ouvimos/sentimos quando nos aproximamos um pouco mais da sua fonte, do que seu autor, um pouco mais da sua vida até. As coisas caem um pouco no campo orgânico da vida, sem os ensaios e as luzes dos palcos. Não é uma relação comum entre público e artista, mas pode conhecer. E esse é o grande prazer de viver um pouco onde as coisas acontecem, onde as coisas nascem. E foi assim que vivemos o primeiro disco desse talentoso rapaz que tive o prazer de conhecer através da arte. Um jovem que tira da música a graça para entender suas ideias.

Phill Veras é de São Luis do Maranhão, terra de meu querido Zeca Baleiro e da Marrom. Autodidata e disciplinado desde os seus 14 anos não para de compor e criar suas melodias. Não foi ele que entrou na música, foi a música que entrou nele. E é possível perceber isso claramente na sua relação com a composição e até no encaixe com o violão e sua fácil adaptação musical em parcerias. Qualquer um faz um som com Phill Veras e vice versa. Fica claro que há uma forma maior comandando tudo, e ela se chama música. Assim como toda sua geração, é nítida suas influências, e não vamos falar delas e da repetição crítica e desgastada que vivemos hoje, na tentativa de enquadrar referências. Apontamos como talento, sua originalidade autoral, sua fácil transferência poética e simplicidade de nos colocar rapidamente dentro do seu universo sonoro. Sem o menor esforço. E ele só tem 21 anos.


Confira uma das suas músicas: Vida Vingará


sábado, 17 de novembro de 2012

Um Título Mais Interessante Que a Narrativa


O filme "Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros" é uma adaptação do livro do escritor e também roteirista inglês Seth Grahame-Smith que se juntou a Tim Burton em Hollywood para alavancar a sua carreira, produzindo seus próprios filmes. Esse em especial foi dirigido pelo russo Timur Bekmambetov (O Procurado). Seth está firmando a sua carreira nessa mesma linha, juntando grandes histórias reais ou até mesmo da literatura com uma pitada pop no meio ao integrar seres sobrenaturais, como zumbis e vampiros. Um dos grandes problemas do filme foi a necessidade que Seth sentiu em preservar alguns fatos da vida do presidente Abraham Lincoln, que resultou em uma narrativa desnecessária para um filme que é curto diante de tantos detalhes. A construção em si foi fraca, desde a formação dos personagens, até os efeitos sonoros piegas para provocar medo no telespectador, sem falar dos flashbacks entediantes. As cenas de ação também são entediantes, desde a primeira, que mostra um vampiro totalmente descaracterizado e uma força sobre-humana por parte de um humano, em uma cena com efeitos especiais em que o especial sumiu. O conselho para quem pretende assistir o longa por causa dos seres sobrenaturais é que troque as 1h40 de filme por um bom seriado de vampiros (como True Blood), mas se a pretensão for o apelo histórico, então Elizabeth é uma boa pedida. No mais, minha única observação é sobre o final de algumas cenas, em que, irritantemente, sempre vinha um pensamento "o título é mais interessante que o filme", infelizmente, essa foi a impressão que ficou de "Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros".

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Mashup - Rihanna, Jorge e Mateus, Adele...

O nome da dupla é Lua e Robertinho, sendo bem breve, o que todo brasileiro espera de uma dupla de cantores? Que a música seja algum sertanejo, comumente, universitário, já que nos últimos anos virou uma febre no país todo. Mas essa dupla surpreende, foi além do óbvio e criou arranjos inusitados que está virando uma febre no youtube. Eles conseguem misturar ou como os americanos dizem fazem um "mashup" que poucos conseguem, que é unir duas músicas distintas e conseguir uma boa harmonia com isso. Não é para qualquer um alcançar um bom resultado misturando música, ainda mais qundo são tão distintas como é o caso de "We found love" de Rihanna misturado com "Duas metades" de Jorge e Mateus ou o que podemos esperar quando se mistura "Hey Soul Sister" com "Humilde Residência", Train e Michel Teló em uma só música, essa realmente vale a pena conferir.

We Found Love x Duas Metades


Hey Soul Sister x Humilde Residência


Confira mais vídeos no canal: LueRobertinho

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

"Elvis não morreu" por Marcia Tiburi


A frase "Elvis não morreu" não é apenas um bordão repetido desde a morte do Rei do Rock em 1977.Ela é defendida por grupos e indivíduos que parecem realmente acreditar que Elvis Presley envelheceu e permanece vivo até hoje, escondido em algum lugar. Sempre há quem pregue tê-lo visto aqui ou acolá e, por respeito aos limites da razão, não há quem se ocupe em provar o contrário.

A crença de que Elvis não morreu tem algo a nos ensinar. Ela manifesta um estado do desejo das massas que surge sempre em relação a um ídolo. O fato de que Elvis seja "visto" por aí surge, de um lado, como uma espécie de prova visual, a prova do testemunho. O testemunho nos obriga a julgar se é verdade ou loucura, alucinação, engano o que teria sido visto. Trata-se daquele tipo de afibolia em relação a qual não se pode decidir. De qualquer modo, para quem prega que "Elvis não morreu", o que está em jogo é a verdade. E a verdade é um calibrador do desejo. O desejo de que o rei esteja vivo.

A verdade descartada

É neste sentido que podemos avaliar a questão surgida nos últimos tempos, desde que a técnica da holografia praticada por uma empresa como a famosa, e agora falida, Digital Domain, poderia cumprir a promessa de "ressuscitar" o Rei do Rock para os seus milhões de fãs. O que a empresa de fato prometia era administrar a alucinação coletiva no contexto de um novo estado do desejo das massas. A existência de um show com a holografia do Rei do Rock punha em cena que, morto ou não, Elvis seria exposto como realidade para seus fãs, que pagariam caro para vê-lo. Se antes o desejo de que esteja vivo provocava a lenda de que fora visto por uns e outros, agora ele seria visto por todos que pudessem pagar para ter acesso ao seu fantasma tecnologicamente produzido.

O que está em jogo é evidente. Com o surgimento da holografia em nossos tempos hipertecnológicos e visuais, a prova visual assume outra dimensão. Ela é completamente oposta ao julgamento sobre algo que ainda poderíamos compreender como verdade. No contexto da holografia, já não importa se Elvis está vivo ou morto. Também não importa se é possível chegar a este tipo de conhecimento. O desejo de que Elvis esteja vivo é substituído pela oportunidade de vê-lo por meio desta nova tecnologia da visão desenvolvida em nossa época.

À nova modalidade de fãs que surge com a holografia (e com ela um outro tipo de subjetividade) basta que Elvis pareça real.

A questão da visão continua sendo a mesma. Para os adeptos do "Elvis não morreu" ele estaria vivo porque poderíamos vê-lo por aí de vez em quando. Depois, morto, poderíamos vê-lo holograficamente. A verdade foi descartada em nome do visual. Mas isso quer dizer que nos contentamos com a fantasia desde que ela seja uma promessa de realidade. Isso não quer dizer, no entanto, que se deseja a própria realidade. A satisfação é sonhar com ela. Em Rumos da Cultura da Música - Negócios, Estéticas, Linguagens e Audibilidades, um livros organizado pela professora Simone Pereira de Sá (ed. Sulina), há um artigo intitulado "Mortitude: Tecnologias do Intermundo", escrito por Stanyek e Piekut. O que eles chamam de "mortitude" (deadness) diz respeito a uma curiosa produtividade dos mortos na indústria da música. Na ascensão do necromercado e do necromarketing, há bastante tempo artistas estão valendo mais mortos do que vivos. Elvis, neste contexto da mortitude, passou de Rei do Rock a Rei dos Mortos. Sua imagem antes sagrada foi reduzida a mera mercadoria e, como tal, profanada no logro comum que o espetáculo, o império do capital feito imagem, faz com seus deuses impotentes.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Quem Não Conhece Madame Bovary?

"Madame Bovary" é a obra mais famosa e fundamental da carreira do escritor francês Gustave Flaubert, que foi publicado em 1857, como um escândalo, tanto na escrita desafiadora, como nos questionamentos acerca das convenções sociais. Na época do lançamento, o livro tomou proporções gigantescas, causando um grande impacto, acompanhado de muito burburinho: Madame Bovary foi sucesso de público. Resultado: o autor acabou passando por julgamento acusado de imoralidade. Em contrapartida, foi um marco para a literatura mundial.Com uma escrita moderna, em que cada palavra esmiúça um detalhe de fundamental importância, o romance foi imortalizado com um respaldo gigantesco.A narrativa é baseada no cotidiano da segunda metade do século XIX, em que Flaubert ironizou romances, situações e retratava assuntos fortes de forma simples e natural, juntamente, atacou a burguesia associando-a ao banal. Elevou o patamar da mulher submissa, Emma Bovary fugiu do estereótipo da época. Foi buscando a essência dessa obra que o espetáculo Madame B - Fita Demo, ganha vida nos palcos do SESC Pinheiros, em São Paulo. A ideia é extrair o cerne do livro e trazer para os tempos atuais, utilizando-se de citações do romance para abordar temas como capitalismo e o consumo excessivo. Essa não foi a primeira, nem será a última vez que Bovary ganha vida nos palcos do teatro, a meu ver, o importante é que nunca se perca a essência, visto que Gustave Flaubert recheou a obra de um brilho inigualável. Dito isso, é difícil encontrar um ser que não conheça Madame Bovary.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A Favela Como Ela é. Ou não.

5xPacificação é um documentário que está em cartaz a partir dessa sexta-feira (dia 16/11) no Rio de Janeiro, que tem como realizadores Luciano Vidigal, Rodrigo Felha, Cadu Barcellus e Wagner Novais. Mais do que um documentário, ele faz uma investigação de dentro pra fora e não de fora pra dentro como costuma ser, destarte, a análise crítica é bem mais apurada e afastada mais do que o normal dos estereótipos e preconceitos. Luciano Vidigal ao falar do filme, o traz como uma forma de direito de cidadania, cabendo ao governo cumprir o seu papel diante disso, com o intuito de ter um cinema mais consciente e coerente. Pois bem, dito isso, vamos ao filme em si, a sua narrativa ocorre basicamente em cinco episódios, filmados em locais diferentes (Ladeira dos Tabajaras, Morro dos Cabritos, Chapéu Mangueira, Morro da Providência, Jardim Batan e Cidade de Deus), é a partir desses quatro espaços que será mostrado uma nova visão desse mundo que consideramos outro, mas também é nosso, visto a grande interferência que tem no mundo além favela. No decorrer do documentário, o discurso ou texto pronto sai do âmbito "diretores" ou "idealizadores" e invade os moradores, policiais, ex-traficantes, bem como todas as pessoas que estão diretamente ligadas a esse universo. Como já retratado pelo Luciano o objetivo do filme, cabe a nós captamos a mensagem e fazer um bom uso dela. Bom filme.