terça-feira, 23 de junho de 2015

[Postagem do Dia] A indústria do preconceito

Vocês já se perguntaram quanto o preconceito rende para instituições que se promovem em cima do discurso de ódio? O que seria de figuras como Silas Malafaia, Bolsonaro e Marco Feliciano? De que se alimentariam esses personagens?

Eles são os rostos mais conhecidos quando tentamos juntar “religião” e “política”. Mas será que eles estão mesmo praticando alguma dessas atividades? Ou talvez estão sendo apenas símbolos do desejo seboso incrustado nos peitos preconceituosos dos brasileiros? E, de quebra, enricando com isso.

O preconceito virou uma verdadeira indústria, de fácil manutenção e extremamente lucrativa. Primeiro porque não há muita burocracia para se abrir uma vertente da “igreja evangélica”, recebendo apoio notório do Estado (nada) laico. Segundo porque basta uma sala e uma caixa de som, o resto do trabalho é realizado por um homem, com domínio da oralidade e conhecimento do livro sagrado. Basta apenas isso para que a palavra de Cristo seja distorcida aos quatros ventos, como forma de justificar as posturas preconceituosas.

Vocês já se perguntaram como um pequeno grupo de pessoas que começam apenas dessa forma em pouco tempo conseguem construir um “templo sagrado”?

A resposta é simples: os bons oradores falam exatamente o que seus fieis querem ouvir. Mas a palavra de Cristo nunca foi e nunca será aquilo que você quer ouvir, isso se chama manipulação. Exemplifiquemos:

Para condenar a prática homossexual se utilizam do Livro Levítico que diz “quando também um homem se deitar com outro homem, como uma mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles”, sem maiores interpretações dessa passagem, visto que cabe várias, desde o teor machista, até o desconhecimento da prática em si, passemos para mais dispositivos que hoje são praticados diariamente por todos, mas que não são lembrados:

- Não comer carne de porco (Levítico 11:07)

- Não comer alguns frutos do mar (Levítico 11:12)

- Não comer fruta da árvore com menos de 3 anos (Levítico 19:23)

- Não fazer cruzamento de raças de animais (Levítico 19:19)

- Não semear a terra mais do que sete anos (Levítico 25:04)

- Não usar vestimentas com fios diferentes (Levítico 19:19)

- Não cortar o cabelo (Levítico 19:27)

- Não raspar a barba (Levítico 19:27)

- Não fazer tatuagem (Levítico 19:28).

Imagine se todas essas práticas fossem (hoje, como era quando escritas) tidas como abominação, será que alguém escaparia?

O comprometimento com o texto sagrado é seletivo?

A resposta é simples: as pessoas não leem, não interpretam, não tiram sequer um minuto para pensar, são apenas fantoches da indústria do preconceito, em que se dá por satisfeitas em depositar os 10% do seu salário, na ilusão de que aquilo é a punição para os pecados que cometem diariamente. Ou apenas buscam nessas instituições "religiosas" a justificativa para a sua postura preconceituosa perante os seus iguais. No fim, o objetivo é o mesmo: juntar o útil ao agradável para alcançar a paz de espírito; enquanto, aqueles que sofrem com seu discurso, são mortos. 

Amém? Amém!

Ou, apenas, amem. Sem acento.


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